Adolescência e suas mudanças: como lidar?
Uma das fases mais complicadas para nós seres humanos, é quando saímos da infância e estamos caminhando para a fase adulta.
Existe um processo de maturidade constante e crescente, que envolve uma série de transformações físicas, cognitivas, emocionais e sociais, durante este período, uma verdadeira confusão para quem está passando por este momento.
Antes disto, acontece a pré-adolescência, entre os 8 e 11 anos, quando estamos a caminho da adolescência (que pode acontecer entre os 11 anos e nos acompanhar até os 20 anos) e que em muitas vezes coincide com o início da puberdade, fase onde as mudanças do corpo começam a se evidenciar, aumento de peso, acnes, pelos pelo corpo, enfim, são varias mudanças.
Neste período de transição, muita coisa está acontecendo dentro de nós, em nossas cabeças, e em nossos corpos, e temos uma certa dificuldade em aceitar estas mudanças, pois estávamos acostumados a ser crianças, isto tudo é muito novo e confuso.
Quais são as mudanças?
As principais mudanças são as físicas, sexuais, hormonais, cognitivas e psicológicas, que os levam a outras que se seguem.
Nessa fase, deixamos de acreditar cegamente em nossos pais, que até aquele momento eram suas referencias, e em alguns casos seus heróis.
Passam a questionar muitas coisas nas quais acreditavam piamente, e precisa agora construir a própria identidade, e caminhar com as próprias pernas.
A opinião do outro sobre a sua aparência, nesta época é muito importante, o adolescente precisa ser aceito em comunidades ou grupos, e isto ainda não é muito fácil para ele poder lidar.
A necessidade de vivenciar coisas, de se intelectualizar, de fantasiar, uma vez que seu desenvolvimento cognitivo já lhe permite criar hipóteses e fantasiar.
O aumento do senso crítico, é o que acaba gerando os confrontos, que os pais chamam de rebeldia, mas com a capacidade que agora ele desenvolveu de criar hipóteses, ele acaba por reivindicar, criticar atitudes religiosas, sociais, que antes não tinham a menor importância para eles.
Eles precisam de grupos e experimentam alguns, até encontrar o seu, onde é aceito e se sente pertencente aquele grupo de pessoas, que no geral pensam como ele, estão quase todos no mesmo estágio de evolução e confusão.
Porém, para evitarem a exclusão e com isto a solidão, acabam por adquirirem vícios e comportamentos que não eram seus, por influência do grupo, mas isto acontece por puro medo da solidão.
É muito comum o desejo de ser diferente, mas sempre tendendo a agir e se comportar igual ao grupo que o aceita, e se vestem igual a todos do grupo, do qual fazem parte.
Mas, como lidar com esta fase da adolescência?
É quando entra a figura dos pais, que observam os comportamentos e tentam se aproximar, tentando entender o que esta acontecendo. Mas esta não é uma tarefa fácil para eles, pois seus filhos estão passando por muitas transformações, estão se conhecendo como pessoas, indivíduos e que já têm os seus direitos.
Principalmente, porque seu filho que até ontem era uma criança, hoje está caminhando para a fase adulta.
E aí que surge o confronto, as brigas, as revoltas, e é por isto que esta fase é sempre tão temida. Como se todos nós não tivemos passado por ela também, os pais se esquecem que também foram adolescentes e que também fizeram as mesmas coisas que agora os filhos fazem.
Cabe aos pais a aproximação, ainda que difícil e muitas vezes evitada pelo adolescente, que se tranca no quarto e não quer falar com ninguém.
Mas, ainda assim, a forma como os pais lidam com estas questões emocionais, interfere diretamente no comportamento do adolescente.
Os pais precisam reconhecer apenas que esta é uma fase comum a todos nós seres humanos, e que vai passar como todas até este momento. É importante ajuda-los a entender que tudo que sente, até os momentos de raiva, que são constantes, é normal e faz parte do processo pelo qual estão passando.
Busquem pelo entendimento sempre, pela orientação, pelo auxilio, mostre para o seu filho que ele poderá sempre contar com o apoio dos pais para qualquer situação, mas isto não quer dizer que tudo o que ele fizer será aceito, muito pelo contrário, agora mais do que nunca ele precisa se sentir pertencente a esta família, mas que tem regras e limites.
Ajuda Psicológica
A psicologia hoje, trata o assunto da adolescência como o que ele é, ou seja, um período de descobrimento e amadurecimento, das diferenças físicas e emocionais, um psicólogo não julga o seu paciente, cabe a ele apenas questionar, ouvir e levar o paciente a reflexão.
Muito mais nesta fase da vida de uma pessoa, pois é muito importante que ele possa falar sem ser julgado ou condenado.
A cabeça agora tem outras, aliás várias outras ideias, e o que lhe agradava antes, agora não lhe agrada, e acredite, ele também se sente estranho e incomodado com isto e precisa falar para além do seu grupo.
O papel do psicólogo é ajustar o que ele, o adolescente, entende estar desajustado.
Porque suas vontades mudaram, porque sente raiva quase que o tempo todo, porque muda de humor com muita facilidade, porque precisa se encaixar nos “ padrões de beleza”, e se ele não for bonito o suficiente, e se os hormônios em explosão trouxeram acnes demais, enfim, são tantos os questionamentos, que ele precisa perguntar para alguém, e muitas vezes não são os pais que ajudam.
O ideal, seria que pais e filhos adolescentes fizessem terapia, talvez não juntos porque isto inibiria o filho, mas ambos buscando ajuda para passar por essa nova fase. Os pais para relembrarem que também passaram por isto, e os filhos para entender e aceitar o que faz parte da evolução do ser humano.
Algumas terapias em grupo têm surtido alguns efeitos positivos, porque eles passam a entender que não estão sozinhos nesta fase da vida, e que não é apenas com eles que tudo isto acontece.
Que todos nós já passamos, que alguns estão passando e que outros ainda passarão pelas mesmas mudanças, dúvidas e questionamentos.
Esta troca pode ser muito interessante, mas precisa ser acordada com o adolescente que pode não querer este tipo de exposição.
Além disso, essa fase pode desenvolver a depressão, e isto sim é um problema, pois se alguns questionamentos não forem bem resolvidos pelo adolescente, o mesmo pode desenvolver problemas psicológicos e até mesmo começar a utilizar drogas. Portanto, todo cuidado é pouco para garantir o melhor futuro aos futuros adultos,
Dicas aos pais e educadores:
- Elogie seus filhos sempre que ele fizer algo bom, ele sentirá que é notado também nos acertos e não apenas nos erros;
- Pratique a empatia e se coloque no lugar dele;
- Evite brigas quando ele estiver se divertindo, e muito menos na frente dos amigos, lembre-se que ele precisa se sentir no controle, e não pode ser desmoralizado assim na frente da sua turma.
- Quando for dar uma bronca, seja breve e direto, nada de sermões de horas
- Adolescentes odeiam ser comparados a alguém, então não diga: ” no meu tempo, não era assim”, ele se sentirá comparado aos pais e criará entre vocês um distanciamento ainda maior.
Conclusão:
A adolescência não é a melhor fase para um ser humano passar, mas precisamos dela para nosso amadurecimento e evolução.
Tudo que nos acontece nesta fase tem um peso muito maior do que teria para alguém já na fase adulta, e por isto precisamos respeitar estes sentimentos e emoções, que também já foram vividos por nós, pais.
Nesta fase da vida, com a intenção e o desejo de se enquadrar em padrões pré estabelecidos por uma sociedade que não nos representa, o adolescente pode entrar em uma depressão ou ter crises de ansiedade, o que piorará em muito esta fase, caso não consiga a aceitação que ele espera aceitar.
Por isto, cabe aos pais, e aos profissionais da saúde mental, como Psicólogos e Psicanalistas, o entendimento do momento, das mudanças e angustias que ele vive, ajuda-lo a passar pela adolescência da melhor forma possível.
Dúvidas ou sugestões? Escreva aqui que responderemos em breve!!
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Observações:
- A idade de início ou fim da adolescência, sofre uma variação de acordo com cada psicólogo, não existe uma idade exata, o que pode acontecer é ter uma adolescência precoce. Alguns psicólogos defendem a ideia de que a adolescência só termina aos 28 anos de idade.
- Alguns trechos do artigo tiveram como base um outro artigo feito a partir de uma obra: Introdução à Psicologia, de A. Sperling e K. Martin e em material do CRAS de Jaboatão dos Guararapes e M de Mulher família.
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